Breilh J, Granda E. Epidemiología y contrahegemonía. [Epidemiología e contra-hegemonía.] Soc Sci Med 1989; 28: 1121-1127.

Objetivo : Analisar a produção científica de diferentes grupos latino-americanos, sua contribuição na transformação das ciências relacionadas com a saúde pública.

Metodologia: Analítica e interpretativa a partir do pensamento crítico da medicina social latino-americana.

Resultados: Os autores apresentam uma revisão das diferentes tendências e perspectivas das ciências sociais, aplicadas a saúde na América Latina. Mostram a heterogeneidade da produção científica e a analisam como produto das diferentes condições estruturais dos países (desenvolvimentos diferentes das forças produtivas e relações de produção). Desta maneira observa-se um diferente crescimento das classes sociais organizadas e seus sistemas de necessidades de classe, que condiciona as categorias centrais de estudos e propostas epidemiológicas elaborados pelos grupos nos diferentes contextos. Também mostram as diferenças dos estudos produzidos por cientistas sociais, interessados na saúde, dos produzidos por cientistas ligados as ciências da saúde, que se interessam por determinantes sociais.

Finalmente destacam a importância da inserção prática a partir da qual se propõe o trabalho epidemiológico, isto é, o tipo de problema que aborda: o estudo e defesa dos/as trabalhadores/as nas indústrias; a saúde dos habitantes consumidores dos bairros urbanos; a saúde dos camponeses e grupos etno-culturais incluídos na economia rural, etc.

Todos os trabalhos da epidemiologia crítica latino-americana foi realizado enfrentando obstáculos conceituais, tais como a influência do pensamento empírico funcionalista, as posições tecnocráticas e as tendências conservadoras psicoculturais, que dificultam o conhecimento da realidade quanto ao seu conteúdo histórico, e as condições da estrutura social e suas relações de poder.

Conclusões : Os autores concluem que a epidemiologia crítica deve fazer uma ruptura radical com a epidemiologia empírica convencional. Não é possível apenas uma justaposição destas. Caso esta ruptura não ocorra, os elementos conservadores das tendências científicas funcionalistas permanecerão ativos, causando efeitos práticos nos processos de conhecimento que conspiram contra a intencionalidade social dos epidemiologistas críticos.

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