Iriart C, Leone F, Testa M. Las políticas de salud en el marco del ajuste. [As políticas de saúde no marco do ajuste.] Cuadernos Médico Sociales (Rosário, Argentina) 1993 julho;71:5-21.

Objetivos: Analisar as causas econômicas que originaram o predomínio das políticas neo-liberais e a crise do estado de bem-estar existente em países como Argentina. Localizar a crise do sistema sanitário neste contexto e questionar o falso dilema público-privado.

Metodologia: Analítica e interpretativa.

Resultados: Os autores enquadram o problema da crise do sistema de saúde argentino no contexto das profundas mudanças que foram produzidas nas economias capitalistas, a nível mundial. Estas mudanças foram iniciadas em meados dos anos 1970 e desencadearam as políticas de ajuste estrutural da década de 90. São analisadas as políticas de ajuste estrutural aplicadas na Argentina, nesse período, e as políticas econômicas que comprometeram tanto o nível federal, quanto as províncias e municípios. Com os dados estatísticos das fontes oficiais é analisado detalhadamente o processo de reforma econômica que comprometeu os recursos estaduais destinados às políticas sociais. Assim sendo, é mostrado o impacto causado a nível de distribuição de recursos à população, com o aumento dos pobres estruturais (população com necessidades básicas insatisfeitas) e dos novos pobres (população a baixo da linha da pobreza).

O artigo destaca o impacto destas transformações estruturais no setor saúde e a sua articulação com processos ideológicos que deram força à concepção de que a saúde não é um direito garantido pelo estado, mas sim um bem de mercado que os indivíduos devem comprar. Com isto, justificou-se a necessidade de que a população atendida nos hospitais públicos paguem, do seu bolso ou por terceiros, a atenção recebida.

Conclusões: O artigo mostra a articulação entre as mudanças econômicas que geraram a crise mundial do capitalismo em meados da década de setenta, com as políticas de ajuste estrutural geradas nos países do Terceiro Mundo, por organismos de crédito internacionais (Banco Mundial, Banco Interamericano de Desenvolvimento, Fundo Monetário Internacional) e as reformas dos sistemas de saúde.

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