Breilh, Jaime; Granda, Edmundo; Campaña, Arturo; Betancourt, Oscar. Ciudad y muerte infantil.
[Cidade e morte infantil.] Quit Edições CEAS; 1983. 188 p.

Objetivos: Demonstrar a existência de diferenciais significativos da mortalidade infantil entre classes sociais em uma sociedade do capitalismo periférico e colocar em evidência as profundas contradições do progresso urbano nas sociedades capitalistas do Terceiro Mundo.

Desenho: Estudo mediante cruzamento de arquivos ("record linkage") de mortalidade infantil (atestado de óbito) com os de estratificação sócio-econômica da cidade de Quito, no Equador.

Marco Teórico: Análise histórica, geográfica e epidemiológica, para visualizar os diferenciais de mortalidade por classes sociais. Parte de uma história crítica do desenvolvimento da capital do Equador, para explicar o aumento de diferenciais crescentes entre os níveis sociais e epidemiológicos por zonas da cidade. Classe social foi estudada mediante equivalências da variável inserção social ("social class proxys") e a análise da mortalidade por zonas socialmente estratificadas da cidade.

Pacientes ou participantes: Crianças da cidade de Quito falecidas durante o primeiro ano de vida, estratificadas pela idade, classe social e zona de residência habitual.

Intervenções: O estudo permitiu informar ao Ministério da Saúde Pública a inconsistência de suas análises de cobertura e de melhoramentos dos níveis de mortalidade infantil urbana.

Principais resultados das medições: Diferenças de mortalidade infantil (especialmente pós-neonatal) entre as zonas estratificadas da cidade de Quito (TMI de 20.1 x 1000 em zonas de classe alta; 42 x 1000 e 54 x 1000 em zonas de classe média e trabalhadora, respectivamente; e de 108.4 x 1000 nas zonas periféricas). Em cada zona foram encontradas diferenças significativas entre as classes sociais. Uma constatação importante foi que nas áreas de influência do Ministério da Saúde, através de programa de cobertura universal e contínua, foram encontradas diferenças significativas entre zonas que geograficamente eram eqüidistantes de um Centro de Saúde. Isto indicaria que as diferenças de mortalidade não estariam relacionadas com o problema de acesso.

Conclusões: Existem contrastes marcantes na qualidade de vida e mortalidade infantil entre tipos de zonas sociais na área metropolitana de Quito. Colocam em evidência a desigualdade com os resultados de saúde próprios de países desenvolvidos em algumas áreas e de países do terceiro mundo em outras. Assim sendo, constatam que as políticas municipais do estado continuam oferecendo paliativos que não chegam a ter um impacto efetivo para modificarem estas diferenças. É demonstrada a inutilidade e a ineficiência dos sistemas oficiais de cobertura dos serviços de saúde.

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