Quiroga Martínez R. De tigres y toxina. Neoliberalismo y salud en Chile. [De tigres e toxinas. Neoliberalismo e saúde no Chile] Salud y Cambio (Santiago, Chile) 1994; 5(17):4-13.

Objetivos: Analisar os problemas ambientais, no Chile, à luz do desenvolvimento das políticas neoliberais, aplicadas a partir da ditadura militar, instaurada em 1973.

Metodologia: Analítica e interpretativa.

Resultados: Mostra que o desenvolvimento econômico, no Chile, desde 1973, esteve sustentado no explosivo crescimento das exportações de recursos naturais. Entre 1987-1993, constituíam 92,3% do total das exportações. Este processo, de extração acelerada de recursos naturais, realizou-se sem um marco de proteção e regulação ambiental.

Quiroga mostra a crescente deterioração distribuição de riqueza, as mudanças culturais ocorridas, devido ao consumismo individual, e como isso tem afetado a saúde. Analisa o aumento da mercantilização da atenção à saúde e a privatização do sistema de seguridade social.

O autor detém-se nos problemas de saúde, que a abertura exportadora de recursos naturais tem provocado nos trabalhadores, ligados a produção e exportação de frutas. Estes problemas estão relacionados com o uso excessivo e inadequado de agro-tóxicos, de progressiva toxicidade. 60% dos herbicidas, 30% dos inseticidas e 90% dos fungicidas, usados no Chile, podem provocar câncer. Mostra o crescimento dos casos de crianças nascidas com mal-formação congênita e que é maior em filhos de pais que trabalham na produção agrícola. O artigo apresenta outros problemas de saúde, que aumentam como que acompanhando o ritmo de crescimento dos problemas ambientais.

Conclusões: A inclusão do Chile, no modelo neoliberal e em um acelerado processo de globalização, como produtor de matéria-prima, tem gerado problemas de saúde, deterioração ambiental, transformações culturais e crescente marginalização de uma extensa parte da população, mesmo diante dos indicadores macro-econômicos que revela êxitos.

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