Brenna SF, Hardy E, Zeferino L, Namura I. Conhecimento, atitude e prática do exame de Papanicolaou em mulheres com câncer do colo uterino. Cadernos de Saúde Pública (Rio de Janeiro, Brasil) 2001 julho-agosto; 17(4):909-914.

Objetivos: Analisar o conhecimento, atitude e prática do exame de Papanicolaou e entender a adesão das mulheres neste estudo.

Desenho : Estudo transversal, a partir de uma pesquisa aplicada a mulheres com diagnóstico de câncer de colo de útero. Variáveis independentes: idade no momento do diagnóstico, escolaridade, trabalho fora ou não do lar. Para analisar a baixa adesão ao exame, também foram estudadas as barreiras que as mulheres tiveram para conseguir uma consulta médica, os motivos que as levaram para a consultar e se a iniciativa da obtenção do exame de Papanicolaou foi delas ou dos médicos. Os dados foram analisados com oStatistical Analysis System(SAS) e também foi usado uma análise múltipla de regressão logística.

Marco teórico: O estudo foi contextualizado na análise histórica do desenvolvimento das iniciativas de controle do câncer, no Brasil, e da difusão do conhecimento sobre a necessidade de realizar controle, para a prevenção do câncer de colo uterino.

Pacientes o participantes: 138 mulheres, com diagnóstico de câncer de colo, atendidas no Serviço de Oncologia Ginecológica do Hospital Maternidade Leonor Méndez de Barros, no Município de São Paulo.

Intervenções: nenhuma

Principais resultados das medições: Das 138 mulheres entrevistadas, quase dois terços (63%) tinham um conhecimento inadequado do exame de Papanicolaou. A maioria (81%) tinha atitude inadequada em relação a necessidade de faze-lo e 56% o fazem de forma inadequada. As mulheres com câncer invasivo mostraram 3,2 vezes maior probabilidade, de fazer o exame de forma inadequada, do que as mulheres com câncer não invasivo.

A maioria das mulheres deste estudo, 79% daquelas que tem câncer não invasivo e 88% das com câncer invasivo, consultavam o ginecologista somente quando apresentavam sintomas. As mulheres de maior idade apresentaram maior probabilidade de ter conhecimentos inadequados.

A desmotivação e a vergonha foram as razões mais frequentes para não fazer o exame (87% para as mulheres com câncer não invasivo e 81% para as mulheres com câncer invasivo). Com relação as dificuldades relacionadas com os serviços, as referencias mais importantes foram relativos ao fato de que os médicos não as examinam (60% de todas as mulheres) e o prolongado tempo de espera para a consulta (48% das mulheres com câncer não invasivo e 60% com câncer invasivo).

Conclusões: Os resultados mostram a necessidade de transformar os dois pólos do problema: as informações que as mulheres recebem e a atitude dos serviços. As ações devem estar dirigidas no sentido de construírem um modelo que valorize as ações básicas de saúde e promovam uma interação mais adequada com as características sociais e econômicas da população.

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