Garcia, JC. Medicina y sociedad. Las corrientes de pensamiento en el campo de la salud [Medicina e Sociedade. As correntes de pensamento no campo da saúde.] Educación Médica y Salud [Educação Médica e Saúde]. 1983; 17(4): 363-397.

Objetiv Analisar os principais pontos de vista dos estudos sobre a medicina e suas relações com o social.

Metodologia: Analítica e interpretativa.

Resultados: O autor destaca que ao analisar a relação entre a medicina e a sociedade existem diversas posições sobre a articulação ou a autonomia relativa entre ambas. Na filosofia as duas correntes principais que dominaram o pensamento foram o idealismo e o materialismo. Nas ciências sociais aplicadas à saúde houve uma grande influência do neo-positivismo e do neo-kantismo. Estas correntes propõem que não é possível conhecer as leis do funcionamento da sociedade com os mesmos métodos que se utiliza para as leis da natureza.

As correntes neo-positivistas interpretam os fatos sociais negando a existência de leis gerais objetivas, reduzindo as ciências sociais à descrição dos acontecimentos. Dentro desta corrente encontra-se o funcionalismo sociológico, cujo representante mais destacado é Talcott Parsons, que aplicou os fundamentos desta teoria para produzir conhecimento sobre a medicina e o conceito de doença. O funcionalismo é criticado por suas bases gnosiológicas, pelas suas limitações para explicar a mudança e o conflito, e por não reconhecer a existência de leis científicas referentes a essência dos fenômenos sociais.

A corrente materialista marxista assume a existência de leis que explicam os fenômenos sociais e traz importantes contribuições com as noções de processo e mudança. Esta corrente considera que a medicina deve ser estudada nas suas relações com a estrutura econômico-social. Há duas tendências neste movimento teóric a que enfatiza as forças produtivas e a que destaca as relações de produção e os aspectos ideológicos.

Até os anos 70, houve um predomínio do positivismo aplicado ao pensamento médico, a partir do qual se propõe a autonomia da medicina e das instituições médicas em relação às outras instâncias do social, como a econômica e a política. Esta análise coloca que seria possível transformar as condições de saúde havendo uma transformação do sistema de atenção. Na década de 60, as condições estruturais das sociedades capitalistas desenvolvidas e os problemas sociais e econômicos que emergiram, deram lugar a questionamentos dos modelos explicativos do desenvolvimento, da desigualdade e da distribuição da renda. Surgiu a crítica daquele positivismo, da medicalização e da ideologia médica, gerando novas propostas para a modificação da atenção à saúde e à formação médica. Não obstante, devido a falta de êxito destas ações, manteve-se uma disputa teórica entre as duas correntes opostas ao positivismo (a fenomenologia e o estruturalismo) em relação a articulação do campo da saúde com o da sociedade. Estas diferenças têm um claro impacto na forma de entender os fenômenos da saúde e suas soluções.

Conclusões: As correntes de pensamento derivadas de diferentes escolas filosóficas, aplicadas no campo da saúde, expressaram as diferenças teóricas entre o positivismo e o materialismo histórico para explicarem a relação entre a estrutura social e a medicina. As condições histórico-sociais deram lugar a um questionamento dos conceitos oriundos do idealismo filosófico no seu modo de conceber os fenômenos da saúde e as ações da saúde.

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