Laurell, Asa C.; Noriega, Mariano. La salud en la fábrica. Estudio sobre la industria siderúrgica en México. [A saúde na fábrica. Estudo sobre a industria siderúrgica no México.] México: Ediciones Era; 1989. 232 p.

Objetivos: O livro apresenta duas partes: a) Uma primeira que tem como objetivo chegar a uma proposta teórica, metodológica e técnica que permite o estudo empírico do processo de produção na relação com a saúde dos trabalhadores; e b) uma segunda parte que é uma pesquisa sobre o processo de produção e o desgaste do trabalhador na empresa minério-siderúrgica SICARTSA no México.

Metodologia: Dialética, interpretativa e histórica. Qualitativa e quantitativa. Pesquisa coletiva.

Resultados: Os autores primeiro revisam, com um enfoque das ciências sociais, a literatura latino-americana sobre a saúde dos trabalhadores. Em seguida, analisam quatro propostas metodológicas e técnicas para o estudo do processo de trabalho em relação à saúde do trabalhador. No terceiro capítulo, realiza-se um novo conceito da relação saúde trabalho com bases nas propostas da medicina social latino-americana. Os autores propõem o conceito de “processo de produção” (unidade entre o processo de valorização do capital e o processo de trabalho) como categoria central para a compreensão do “trabalho” em relação à saúde na sociedade capitalista. Fundamenta-se a necessidade de usar o conceito de “cargas de trabalho” no lugar do conceito de “risco” e o de “desgaste” no lugar do de “doenças”. O resultado é uma proposta metodológica e técnica que dá um papel de relevância aos trabalhadores na produção de conhecimentos e de transformação da realidade.

Na segunda parte do livro, os autores descrevem as estratégias da empresa (SICARTSA) para a extração da mais-valia, vinculando-a com a competição inter-capitalista e a resistência dos trabalhadores. No segundo capítulo, reconstrói o processo de trabalho a partir de uma pesquisa coletiva. No terceiro capítulo, aprofunda no tema das cargas de trabalho em relação ao processo de trabalho analisado anteriormente.

O desgaste do trabalhador na SICARTSA é analisado baseando-se em quatro indicadores: a) o perfil de moléstias e doenças segundo a área e o tipo de trabalho descrito pelos trabalhadores nas entrevistas coletivas, b) o perfil de morbidade segundo o tipo de trabalho e tempo de serviço, baseado nos exames médicos periódicos realizados pelos serviços médicos da empresa, c) o nível de acidentes segundo área e tipo de trabalho, d) o “tempo de trabalho útil” captado com a rotação-expulsão por área e tipo de trabalho. O quinto capítulo, finalmente, coloca a saúde do trabalhador em relação ao processo de produção, na perspectiva das estratégias que surgem quanto a empresa, às instituições estatais e aos trabalhadores. Isto permite explicar a dinâmica entre os convênios coletivos de trabalho e as práticas cotidianas de cada um dos envolvidos (diretores, supervisores, trabalhadores), em relação ao controle sobre o uso da força de trabalho na fábrica.

Conclusões: A metodologia da pesquisa coletiva e o conceito de desgaste do trabalhador ajuda para uma compreensão mais minuciosa dos efeitos do trabalho na fábrica sobre a saúde.

Copyright 2007 University of New Mexico