Buss MP. A experiência comunitária da Fiocruz: desenvolvimento local integrado e sustentável em Manguinhos, Río de Janeiro. Saúde em Debate (Río de Janeiro, Brasil) 2000; 24(55):31-43.

Objetivos: Apresentar a experiência de Desenvolvimento Local Integrado Sustentável (DLIS), que ocorreu na região de Manguinhos, no Rio de Janeiro, por um conjunto de organizações lideradas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Instituto Federal de Saúde, junto com a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, entidades da sociedade civil e privadas e outras agências oficiais.

Metodologia: Analítica e interpretativa.

Resultados: O projeto do DLIS abrangeu quatro fatores: 1) a geração de trabalho e renda; 2) habitação e urbanismo; 3) saúde e alimentação; e 4) desenvolvimento social, incluindo educação. Por ser um projeto que situa no campo da promoção da saúde, o autor analisa as duas principais abordagens conceituais deste campo. A primeira consiste nas atividades dirigidas principalmente na transformação dos comportamentos dos indivíduos, centrados no estilo de vida familiar e no máximo na cultura que tomam parte. A segunda, abordagem conceitual, considera a saúde como produto de um amplo espectro de fatores relacionados com as condições de vida e trabalho. Suas atividades estão dirigidas ao coletivo e ao ambiente físico, social, político, econômico e cultural, através de políticas públicas intersetoriais e ambientais que reforçam a capacidade de ação individual e das comunidades. A experiência analisada está inscrita na segunda abordagem, uma vez que busca intervir no amplo conjunto de determinantes da saúde.

O artigo analisa detalhadamente a organização do projeto e o cenário onde se inicia e se desenvolve. A origem foi o crescimento da violência pelas disputas entre os narcotraficantes, em Manguinhos, o que afetava a segurança da Fiocruz. O problema tinha duas opções: chamar forças públicas e pedir proteção ou abrir-se para a comunidade procurando entender o que ocorria, contribuindo para uma solução. A opção escolhida foi devido a compreensão do compromisso e da responsabilidade social que uma empresa pública como a Fiocruz deve ter. Em um acordo com 80 representantes da comunidade estabeleceu-se o compromisso de se enfrentar o problema de forma conjunta. O artigo detalha o processo desenvolvido para definir os problemas que a comunidade considerava prioritário e as ações realizadas para resolvê-los. A Fiocruz contribuiu na instalação de uma cooperativa de trabalho, tanto no treinamento para o cooperativismo e no oficio, como também para a construção de um contrato de trabalho para reciclar o lixo da instituição, limpar e manter o jardim e um atelier de costura. A Fiocruz obteve uma redução de gastos de 15% em relação aos contratos que mantinha com as empresas, enquanto que os trabalhadores da cooperativa passaram a receber o dobro do salário que os trabalhadores contratados recebiam das empresas privadas. A cooperativa começou com 200 trabalhadores em 1994 e em 1999 tinha 6000 pessoas. O artigo detalha também outros três empreendimentos, assim como os benefícios para o ensino e para a pesquisa que a Escola Nacional de Saúde Pública, da Fiocruz, obteve, além do apoio financeiro internacional que o projeto conseguiu.

Conclusões: Através da cooperação técnica com estados e municípios espera-se que as metodologias e tecnologias produzidas nos quatro campos de ação do projeto possam ser úteis para outros municípios brasileiros.

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