Amaro Cano M. Género e inequidades en salud desde el prisma de la bioética. [Gênero e desigualdades na saúde do ponto de vista da bioética.] Boletín SaluCo 2003; 2(1).
Objetivos: Analisar as desigualdades na saúde, abordando o gênero, do ponto de vista da bioética.
Metodologia: Analítica e interpretativa.
Resultados: A bioética é uma disciplina que estabelece uma ponte entre o homem e seu meio social e natural, à luz dos valores morais. Ao fazer alusão a uma desigualdade na saúde está se falando de uma desigualdade evitável, desnecessária e injusta. Desigualdade na saúde é, portanto, e antes de tudo, um problema de ética, que deve ser discutido sob a ótica da teoria da justiça.
Para realizar um verdadeiro estudo a respeito da igualdade na saúde, é necessário encontrar e medir as desigualdades. Mas, a identificação e a descrição destas desigualdades não é o bastante, é preciso que a sociedade participe, com todos os atores da comunidade, em uma discussão aberta, democrática, verdadeiramente participativa, para elaborar as conclusões sobre a real forma de se evitar tais desigualdades. Esse processo deve criar as condições para o diálogo sobre como enfrentar a injustiça da presença das desigualdades, nessa comunidade. A discussão pode ocorrer no âmbito nacional ou local. Evidentemente, as ações possíveis para retificar a presença das desigualdades são de tipos diferentes, de acordo com o nível ao que se referem. A partir do nível comunitário e local constrói-se o ambiente político, para que se possa enfrentar as desigualdades em um país.
A autora parte da definição das desigualdades na saúde e como elas refletem no caso da mulher, para analisar o tratamento da mulher ao longo da história, enfatizando os aspectos relacionados com a saúde sexual e reprodutiva, desde a adolescência, e fazendo alusão ao abuso, ao mal-trato e à violência. Finalmente, avança nos fundamentos teóricos a respeito dos princípios éticos, cuja violação afeta duplamente a mulher. Amaro Cano destaca, esta, como uma época de crise devido às políticas neo-liberais, que podem ser percebidas não somente no plano econômico, com suas grandes desigualdades, mas também nos valores morais, afetando a solidariedade, a honestidade e o respeito a dignidade plena do homem. Este processo faz surgir a necessidade de reviver a ética.
Conclusões: Os períodos de crises podem ser etapas de desânimo; mas, também, de reflexão e discernimento, tudo dependendo da atitude com que as pessoas e a sociedade os enfrentam. Poderia, este, ser um grande momento para reclamar com maior força os direitos legítimos das mulheres em todos os níveis e encontrar coerência entre o discurso e a prática.
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