Campos R. La medicina intercultural en hospitales rurales de America Latina. [A medicina intercultural em hospitais rurais da América Latina.] Salud Problema 1999 dezembro; 4(7): 75-81.
Objetivos: Propor normas para que as autoridades sanitárias realizem adaptações sócio-culturais nos hospitais que estão nas regiões indígenas, adequando-os às suas características culturais.
Metodologia: Analítica e interpretativa.
Resultados: O autor levanta, de uma perspectiva antropológica, que a prática médica intercultural não é suficiente somente com as instalações de centros de saúde e hospitais, nem com a mera presença de médicos, enfermeiras e promotores de saúde nas comunidades indígenas e que, portanto, se deve ter uma genuína formação dos serviços e dos profissionais quanto as características econômicas, sociais e culturais dessas populações.
Nos hospitais das regiões indígenas observa-se a ausência de pessoas bilíngües; ausência de trabalhadores da saúde originários da região; uso de alimentação não comum aos pacientes; proibição de alimentos regionais cotidianos por ignorância ou autoritarismo dos médicos e/ou por razões administrativas; proibição do uso de móveis regionais; proibição de que os curandeiros dêem consulta dentro dos hospitais; projeto arquitetônico sem consenso com as comunidades indígenas envolvidas e ignorância da cultura e da cosmo-visão indígena; desinteresse pela captação das pessoas que trabalham nas instituições em povoados indígenas.
O autor propõe o seguinte: 1) que existam pelo menos 50% dos trabalhadores da saúde bilíngües originários da região; 2) que as equipes médicas e paramédicas, que venham do exterior, recebam um treinamento e capacitação obrigatórios sobre a medicina intercultural, com especial atenção sobre a cultura onde vão aplicar seus conhecimentos; 3) que os horários dos hospitais se adaptem aos ritmos e tempos dos camponeses da região; 4) que os médicos indígenas participem dentro das atividades do hospital como mais um consultor; 5) que as ervas medicinais façam parte da paisagem hospitalar demonstrando sua vigência e utilidade; 6) que a alimentação seja com base em comidas regionais, com restrições dietéticas em casos específicos; 7) que a participação comunitária seja completa e os indígenas tenham poder resolutivo em aspectos organizativos, administrativos e financeiros do hospital; 8) que a cosmo-visão e materiais regionais sejam levados em conta na elaboração de projetos arquitetônicos dos hospitais e centros de saúde; 9) que os albergues para os familiares dos hospitalizados sejam parte do nosocômio; 10) que os móveis regionais sejam utilizados pelas instituições médicas; 11) que os programas de saúde sejam elaborados e tenham um consenso com os povos ameríndios.
Conclusões : O autor conclui que não se trata de serviços médicos para os povos indígenas, mas sim uma participação e um controle destes. A medicina intercultural deve ser construída sem exclusões, para isso é necessária que a legitimidade social da medicina indígena deva ser acompanhada por um reconhecimento legal que permita sua proteção, difusão e fortalecimento.
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