De Carvalho Amarante PD; Guimarães Torre EH. A constituição de novas práticas no campo da Atenção Psicosocial: análise de dois projetos pioneiros na Reforma Psiquiátrica no Brasil. Saúde em Debate 2001 maio-agosto; 25(58):26-34.

Objetivos: Analisar os documentos históricos da construção dos serviços pioneiros na Reforma Psiquiátrica no Brasil, para entender o novo campo de intervenções na saúde mental e estudar a produção teórica que dá base as novas formas de atenção e cuidado as pessoas, com sofrimentos mentais e em situações de crises.

Metodologia: Análise de conteúdo documental e bibliográfico.

Resultados: O artigo estuda os principais conceitos e dados históricos, contidos nos projetos desenvolvidos, a partir da criação do Centro de Atenção Psicosocial Professor Luis Rocha Cerqueira em São Paulo, em 1987, e do Primeiro Núcleo de Atenção Psicosocial em Santos, em 1989. O artigo mostra as semelhanças e as diferenças destes dois projetos.

O primeiro, está baseado em duas idéias centrais: deshospitalização (influenciado pelo modelo americano) e transformação cultural (influenciado pelo modelo italiano). A proposta implica em criar uma rede externa intermediária entre o hospital e a comunidade, não burocratizada, vinculada a comunidade e de caráter multiprofissional. A doença mental deve ser pensada dentro da saúde coletiva, considerando os contextos macro e micro sociais.

O projeto de Santos propõe a necessidade de destruir a concepção social de manicômio e produzir saúde ao invés de assistência. Este projeto abriu o debate a todos os cidadãos. O projeto terapêutico proposto consistiu em cuidar de uma pessoa, tornar-se responsável por esta, evitar o abandono, atender a crise e se responsabilizar pela demanda, para o que usa de diferentes técnicas.

Busca-se em ambos projetos não somente a humanização ou modernização da atenção dos pacientes na área da saúde mental, mas a superação do modelo tradicional da atenção psiquiátrica.

Conclusões: O artigo é de grande ajuda para profissionais e técnicos do campo da saúde mental, que se interessam pela produção de novos conhecimentos, políticas e ações de saúde mental que tendam a uma atitude antimanicomial e a um incentivo da participação social no acolhimento e contenção das pessoas que sofrem mentalmente.

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