Penchaszadeh VB. Bioética y educación médica. [Bioética e educação médica.] Cuadernos Médico Sociales [Cadernos Médico Sociais] 1999 maio; 75:77-84.
Objetivos: Apresenta uma análise histórica mostrando os desafios da bioética nos contextos sócio-econômicos, que mercantilizam o acesso à saúde, propondo alguns temas daquela, que requerem uma atenção imediata, por parte dos programas de ensino nas escolas de medicina.
Metodologia: Analítica e interpretativa.
Resultados: Penchaszadeh destaca que a aplicação de doutrinas econômicas neoliberais e a exportação do destrutivo sistema norte americano, que marginaliza cada vez mais pessoas, está revertendo importantes avanços sanitários ao favorecer o surgimento de epidemias, como a tuberculose e a cólera, ao mesmo tempo que aumenta a violência e o surgimento de novas endemias, como os acidentes, as doenças crônicas,o câncer e a aids.
O autor analisa criticamente a supervalorização dos avanços da ciência e das tecnologias médicas, na melhora dos níveis de saúde, em detrimento da consideração do processo sócio-econômico. Sendo assim, coloca os dilemas éticos da introdução da alta tecnologia sem as devidas considerações do social. Exemplifica o feito de que a centralidade atribuída ao técnico-científico gera concepções de prevenção e tratamento de doenças excessivamente centralizadas no indivíduo, ao invés de na comunidade, além de subordinadas ao uso da alta tecnologia no lugar de um enfoque holístico.
A bioética, neste contexto de acesso desigual aos benefícios da ciência, não só deve ter conhecimentos nas práticas medicas individuais, como, também, em questões médico-sociais e das políticas de saúde. Atualmente a bioética dedica maior atenção aos princípios da justiça e equidade. Aparecem como temas de preocupação ética a definição de prioridades no uso dos recursos para a saúde, o acesso eqüitativo aos serviços de saúde, independente das condições financeiras, e a responsabilidade do estado em garantir a vigência do direito à saúde para a totalidade dos cidadãos.
Conclusões: Os profissionais da saúde devem receber uma formação em bioética ao longo de toda sua carreira e deve-se enfatizar que a mesma não tem receitas simples, pois estão relacionadas com a cultura e o nível social, com as várias expectativas, o significado da doença ou da incapacidade, a religião, etc. A aplicação de uma bioética integral nas instituições de formação de profissionais da saúde tem que questionar todos os aspectos criticáveis da prática médica, começando pela influência exercida pelas empresas de biotecnologia e farmacêutica nas decisões médicas, além da do próprio capital financeiro (seguros). Assim sendo, deve desenvolver uma crítica aos estados que faltam com suas responsabilidades, quanto à saúde da população.
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