Ferreira J. A saúde em comprimidos: influências socioculturais na interpretação de sintomas e terapias medicamentosas, em uma vila de classe popular de Porto Alegre. Saúde em Debate (Rio de Janeiro, Brasil) 2001 setembro/dezembro; 25(59):67-72.

Objetivos: Analisar as influências sócio-culturais nas interpretações das doenças, sintomas e consumo de medicamentos em uma população de baixa renda e de condições precárias de vida, em Porto Alegre, Brasil.

Metodologia: Qualitativa, mediante observação participante no bairro, no posto de saúde e dos relatos nas consultas medicas.

Resultados: A pesquisa mostrou que as prescrições não medicamentosas, como compressas, banhos e dietas não são bem recebidas pelos pacientes. Nas consultas médicas eles apresentam uma série de queixas sobre sintomas afim de que haja prescrição de alguma medicação. A auto-medicação se dá na medida em que as dificuldades sócio-econômicas e os altos preços dos medicamentos tornam difícil a aquisição.

A autora destaca que os médicos devem compreender o contexto sócio-político e cultural do paciente, para não possibilitarem a medicação indiscriminada como substituição de problemas sócio-econômicos.

Conclusões: A compreensão do contexto e as relações objetivas e simbólicas das populações de baixa renda, com o processo saúde/doença, podem ajudar os médicos a desenvolverem nestes pacientes medidas preventivas de auto-cuidado.

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