Franco Agudelo S. Violencia y salud en Colombia. [Violência e saúde na Colômbia] Revista Pan-americana de Saúde Pública. 1997 Fevereiro; 2(3):170-180.
Objetiv Analisar a violência na Colômbia como um problema de saúde pública.
Metodologia: Análise epidemiológica.
Resultados: O autor enfatiza o caráter relacional da violência como uma atividade humana consciente e inteligente, com finalidades claras, que, ao se expressar em atos concretos e em contextos históricos determinados, gera novas respostas e processos. Na última década houve na Colômbia mais de 230.000 homicídios, que, em 1994, constitui-se em 70% de todas as mortes violentas registradas. Desde 1987 até 1994, a taxa de homicídios aumentou de 36 a 127 por 100.000 habitantes. O grupo de 15 a 24 anos foi vitima de 34,2% de todos os homicídios do país, neste ultimo ano. No começo da década de noventa, o homicídio era a segunda causa de morte na faixa de 5 a 14 anos. Quando o autor destrincha a categoria causas externas de morte, da Classificação Internacional das Doenças, em seus três componentes principais -homicídios, acidentes de trânsito e suicídios comprova, que os outros dois se mantiveram em níveis baixos em relação ao aumento notável dos homicídios. A Colômbia ocupa o primeiro lugar nas Américas em mortes por causas violentas.
Franco analisa outras formas de violência cotidiana, como a intrafamiliar onde as vítimas principais são as mulheres e os crianças. Um quarto destas últimas foram maltratadas pelos seus pais. O autor destaca a existência de assassinos profissionais e bandos, assim como massacres - com mortes de dúzias de pessoas - por diferentes razões.
As conseqüências da violência em todas suas formas têm deteriorado a convivência social e constituem uma grave perda da qualidade de vida, estimada através da carga de doenças e dos anos de vida saudáveis perdidos. No ano de 1991, homicídios e acidentes representaram 39,95 do total de anos de vida potencial perdido, as causas pré-natais ocuparam o segundo lugar com 13,3%. Considerando-se que a atual esperança de vida média ao nascer de um colombiano é de 69 anos e que a idade média das vítimas de homicídio é de 29 anos, deduz-se que por cada assassinato perde-se em média 40 anos de vida potencial. Para um total de 30.000 homicídios anuais se conclui que o país perde por estas causas 1.200.000 anos de vida potencial.
Um estudo realizado com países da América Latina e do Caribe destaca que o custo da atenção dada a 50% das vítimas, que morreram, e a 100% das que sofreram lesões leves ou graves, flutuou entre 3.600 milhões de dólares e 5.600 milhões de doares, o que equivale de 4 e a 7%, respectivamente, do gasto total na saúde no conjunto dos países da região analisada.
O autor considera a falta de preparação das equipes auxiliares, técnico e profissional para compreender e abordar estes problemas, colocando como algo também significativo a violência que se exerce sobre a população que consulta os serviços de saúde.
Conclusões: A violência como mecanismo para resolver conflitos penetrou em todos os extratos da sociedade colombiana, com o risco da aceitação desta ordem e a conseqüente normalização da violência. Para enfrentá-la se requer de uma abordagem multidisciplinar: política, econômica, educacional e de saúde, e uma mobilização em grande escala na defesa da vida e da saúde, assim como uma coordenação interinstitucional em nível local, departamental e nacional, na construção de uma agenda pela vida, como um modo de terminar com a apatia e a tolerância com a violência.
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