de Almeida-Filho N. La práctica teórica de la epidemiología social en América Latina. [A prática teórica da epidemiologia social na América Latina] Salud y Cambio (Santiago, Chile) 1992; 3(10):25-31.

Objetivos: Rever criticamente as bases conceituais e as propostas metodológicas, específicas, desenvolvidas no campo epidemiológico por Jaime Breilh e por Asa Cristina Laurell (dois relevantes líderes da epidemiologia crítica latino-americana) e propor a etno-epidemiologia para superar os vazios presentes no desenvolvimento de ambos autores.

Metodologia: Revisão analítica crítica.

Resultados: Naomar de Almeida Filho realiza uma análise dos principais conceitos e metodologias da “epidemiologia das classes sociais”, de Breilh, e da teoria dos “processos de produção e saúde”, de Cristina Laurell.

O autor centra sua crítica no sentido de que ambos enfoques reduzem a complexidade social a uma só dimensão da vida social (para Breilh a classe social e para Laurell o processo de trabalho) e que os edifícios teóricos que constróem são tão amplos que se tornam difíceis para serem operacionalizadas.

Analisa o desenvolvimento de uma corrente da epidemiologia que denomina “do modo de vida”. Esta corrente entende o modo de vida como um conceito que não fica nas condutas individuais diante a saúde; pois, que vai além, incluindo as dimensões sócio históricas, englobando a dimensão das classes sociais e as relações sociais de produção, considerando os aspectos simbólicos da vida cotidiana na sociedade. Propõe a construção de uma epidemiologia, denominada Etno-epidemiologia, que realize sua prática científica a partir do pressuposto fundamental, de que os fenômenos de saúde-enfermidade são processos sociais e políticos e, como tais, devem ser concebidos como históricos, fragmentados, incertos, dependentes, ambíguos, conflitantes e complexos.

Esta epidemiologia deve ser capaz de entender o indivíduo no seu contexto específico enquanto gênero, raça, inserção na produção e no consumo, educação e ideologia, para poder, assim, entender os fatores de risco no conjunto destas determinações e não em si mesmos.

Conclusões: As contribuições da epidemiologia crítica latino-americana têm sido fecunda e têm aberto o caminho para novos estágios, que incluem o simbólico e cultural do cotidiano dos homens em sociedade.

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