FrancoAgudelo, Saúl. El paludismo en América Latina. [A malária na América Latina.]Guadalajara: Editorial Universidad de Guadalajara; 1990. 288 p.

Objetivos: Rever a informação epidemiológica que mostra o aumento da malária na região da América Latina, desde os anos sessenta. Analisar crítica e historicamente as políticas de erradicação da malária colocando em evidência as relações entre as campanhas de erradicação e os interesses econômicos e políticos, do projeto de dominação dos Estados Unidos sobre a América Latina.

Metodologia: Analítica e interpretativa através do estudo de documentos históricos e evidências estatísticas.

Resultados: O autor põe em evidência a crise dos programas de combate a malária e o aumento constante do número de casos notificados na América Latina, durante a década de setenta. O aumento é maior em países como Honduras, El Salvador, Nicarágua e Colômbia. Observa uma alta porcentagem de população, das áreas endêmicas, que não recebem nenhuma medida especial para o combate da malária. Esta falta de prevenção ocorre, apesar de se saber que para cada caso notificado há aproximadamente 3.5 outros casos. Segundo os documentos oficiais as razões de tal fracasso são técnicas, administrativas, financeiras e humanas, descrevendo-se como uma crise do modelo de erradicação de Soper. Sem negar estas causas, o autor coloca a análise dos problemas de controle e erradicação da malária, no âmbito das condições sociais e políticas mais gerais. Qualificando a malária feita pelo “desenvolvimento econômico”, mudando assim a elação malária-homem pela relação malária-estrutura econômica.

Também revê os modelos teóricos que permitiram onstruir as interpretações e ações dos programas de combate a malária. Questiona as visões fechadas no microbiológico, que indicam o comportamento dos vetores, as condições ecológicas e os comportamentos populacionais, como explicações compreensivas sobre a epidemia de paludismo. Mostra que há grandes contrastes de prevalência e incidência da malária entre países com diferentes desenvolvimento econômico e produtivo, ainda que tenham idêntica ecologia e semelhantes condições de privação social. O modelo convencional malária-homem não permite explicar este paradoxo.

Conclusões: O autor revê os casos de alguns programas e campanhas financiados por entidades como a Fundação Rockefeller para por em evidência a instrumentação de tais atividades em função de estratégias de contrôle e dominação geo-política. Desenvolve uma proposta de substituir o erradicacionismo por uma nova estratégia baseada em formas de contrôle, novos tipos de tratamento e pulverizações, alternativas de imuno-proteção e, sobretudo, uma organização participativa. A nova estratégia supera os modelos interpretativos e de ações convencionais, já que é baseado em um marco teórico que integra os aspectos sociais, econômicos e políticos da organização social.

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