Di Virgilio MM. Vida cotidiana y estrategias familiares en salud en el contexto de la pobreza urbana. El caso de mujeres del barrio Inta. [ Vida cotidiana e estratégias familiares na saúde, no contexto da pobreza urbana. O caso de mulheres do bairro Inta.] Salud Problema 1999 dezembro; 4(7): 83-98.

Objetivos: O objetivo deste trabalho é analisar as concepções, experiências e as atitudes das mulheres, de baixa renda, em relação aos processos de saúde-doença que já sofreram e/ou que atravessam outros membros da casa, em uma favela da cidade de Buenos Aires, Argentina.

Metodologia: Quali-quantitativa.

Resultados: Um aspecto relevante, que se acompanhou durante os relatos, é a contradição que é para as mulheres pobres a combinação de tarefas domésticas e trabalhistas. Estas combinações de tarefas do lar e do trabalho extra-doméstico, parecem colocar em grande risco a saúde deste grupo social. Um risco maior do que para aquelas que permanecem desempregadas.

Junto com as exigências que se impõem no desempenho de múltiplas tarefas, somam-se as escassas possibilidades de descanso. O bairro não conta com instituições que lhes possam oferecer atividades desse tipo.

O adoecimento de outros membros da casa ocasionam sérios transtornos nas rotinas cotidianas das mulheres; especialmente aquelas que trabalham fora. Elas são obrigadas a faltar no trabalho colocando em risco, em muitos casos, os seus empregos. Por outro lado, a doença duplica a carga de tarefas no lar e aumenta as tensões nas relações familiares e de trabalho. Quando são elas que adoecem, as complicações aumentam. Dependendo da cobertura médica que tenham, as mulheres desenvolvem diferentes modalidades de uso ou não uso dos serviços de saúde e realizam múltiplas combinações entre os diferentes tipos. Algumas optam por privilegiar a medicina caseira como prática para o cuidado de sua própria saúde.

Entre os fatores, que incidem no uso ou não uso dos serviços públicos de saúde, estão a proximidade do posto de atendimento; nesse sentido, o posto é bem valorizado apesar de não dispor de uma completa cobertura de serviços.

Um elemento importante é a possibilidade que elas têm de processar e utilizar informações sobre o sistema de atenção médica e de desenvolverem determinadas capacidades críticas frente a isso. Estas capacidades e possibilidades, que constituem o capital cultural das mulheres, guardam uma estreita relação com seu nível de instrução, as experiências anteriores de contato com o sistema de saúde e as redes sociais que estão a sua disposição.

Conclusões: Os estudos das estratégias que as mulheres dos setores populares desenvolvem, em relação a atenção a sua própria saúde e do seu grupo familiar, devem analisar o capital cultural que estas mulheres possuem, pois isso implica em diferentes resultados na capacidade de utilização dos serviços de saúde.

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