Laurell AC, Blanco Gil J, Machetto T, Palomo J, Pérez Rulfo C, Ruíz de Chávez M, Urbina M, Velásquez N. Disease and rural development a sociological analysis of morbidity in two Mexican villages. [Doença e desenvolvimento rural: uma análise sociológica da morbidade, em duas vilas mexicanas.] International Journal of Health Services 1977; 7(3):401-423.
Objetivos: Estudar comparativamente duas vilas rurais mexicanas, com diferentes graus de desenvolvimento, para assim entender o impacto da morbidade e a influência das condições sócio-econômicas na distribuição de doenças na população.
Metodologia: Qualitativa e quantitativa, baseada em questionários, entrevistas focalizadas, observação participante e revisão de dados secundários.
Resultados: O estudo apontou que a morbidade foi significativamente alta na vila caracterizada como desenvolvida em relação a outra, que mantém uma economia predominantemente de subsistência. Isto se explica pelo caráter do desenvolvimento no México, similar a outros países dependentes. Neste caso, a mudança de uma economia agrícola de subsistência por um cultivo comercial, em um mercado instável, implica em uma massiva conversão de camponeses em trabalhadores assalariados com empregos instáveis e com grandes movimentos migratórios.
Este fenômeno produz uma diminuição na qualidade de vida e de trabalho para grandes grupos da população rural.
Os autores destacam que não é o desenvolvimento em si mesmo o que produz o crescimento da morbidade, mas sim a forma particular que este assume em países dependentes.
O estudo demonstrou que as características sócio-econômicas, tais como a posição na produção, o setor da atividade econômica e os padrões de migração definem grupos de alta e baixa morbidade, de forma mais clara que as condições sanitárias e o acesso a atenção médica.
Os resultados sugerem que o êxito das atividades de saúde publica depende da possibilidade de planejamento do processo de mudança.
Conclusões: Este detalhado estudo produz dados de suma importância para entender a inserção na produção como um fator determinante, que não pode ser explicado somente com a introdução de variáveis sócio-econômicas, mas requer um marco teórico e metodológico que possibilite entender o complexo processo da saúde-doença.
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