Feuerwerker L, Sena R. Contribuição ao movimento de mudança na formação profissional em saúde: uma avaliação das experiências UNI. Interface Comunicação, Saúde, Educação (Botucatu, Brasil) 2002 fevereiro; 6(10):37-50.

Objetivos: Sistematizar e avaliar as experiências desenvolvidas pelo programa UNI (Uma Nova Iniciativa na Educação dos Profissionais de Saúde: Unão com a Comunidade), no qual participam 11 países da América Latina. O programa é financiado pela Fundação Kellogg.

Metodologia: A avaliação foi realizada através de seminários de sistematização, processos de auto-avaliação e estudos especiais, controlados por avaliadores externos.

Resultados: Desde 1992, universidades, serviços de saúdee organizações comunitárias, de 11 países da América Latina, participam do programa inovador conhecido pela sigla UNI. O propósito do programa é produzir transformações sincrônicas nas universidades, serviços de saúde e comunidades participantes, assim como nas relações entre elas. Para isso, pretendeu-se mudar o processo de formação profissional nas áreas de saúde, incorporando conhecimentos e tecnologias para a educação de adultos, o que implicou na introdução de metodologias que favorecessem o aprendizado ativo, centrado no estudante, e na adoção de programas flexíveis, além do desenvolvimento da capacidade crítica e da pesquisa. Também, tentou-se desenvolver programas interligados, baseados na interdisciplinaridade, para enfrentar problemas em uma realidade mais complexa.

Assim sendo, o UNI trabalhou nos serviços procurando torna-los mais efetivos, integrados e sensíveis a realidade local; mais abertos a comunidade e as necessidades da população e comprometidos com a resolução de seus problemas. Também procurou contribuir com o fortalecimento da cidadania e da participação popular na saúde, ampliando seu acesso a informação, seu desenvolvimento autônomo e fortalecimento das organizações comunitárias e sua capacidade de intervenção local.

A avaliação realizada mostra avanços substanciais nas diversas experiências. Ainda há muito que avançar, em especial na educação médica, na articulação dos aspectos bio-psico-sociais e na construção e abordagem dos problemas, tanto na prática como nos módulos trabalhados, como exemplos. A avaliação mostra a necessidade de avançar nas transformações integrando a educação da pós-graduação com a educação permanente. Também, houve a necessidade de se transformar as relações profissionais de saúde/paciente dentro do âmbito hospitalar, recuperando o status do doente e desenvolvendo sua autonomia, nesse ambiente.

Conclusões: Os maiores avanços nas reformas e no desenvolvimento das equipes de trabalho multi-profissionais de saúde podem ser observados na atenção básica, mas ainda há muito que fazer na esfera da clínica.

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