Teixeira, Sonia F. Las ciencias sociales en salud en el Brasil [As ciências sociais em saúde no Brasil]. Em: Nunes, Everardo D. (Editor). Ciencias sociales y salud en la América Latina. Tendencias y perspectivas. [Ciências sociais e saúde na América Latina. Tendências e perspectivas]. Montevideo: OPS/CIESU. 1986. p. 91 – 115.

Objetivo: Analisar o desenvolvimento das ciências sociais em saúde, no Brasil, a conceitualização da saúde coletiva e as áreas de pesquisa desenvolvidas.

Métodos: Descritivo analítico.

Resultados: A autora mostra que diferentemente da medicina individual, a saúde coletiva trata de sujeitos sociais, grupos ou classes e de relações sociais referentes ao processo saúde-doença. Aponta que não foi fácil conciliar os modelos de causalidade biológica com os de causalidade social.

O campo da saúde coletiva ao se constituir adota o método histórico estrutural. Isto é, a doença na sua dimensão individual e coletiva estrutura-se em uma totalidade social, como resultado das relações entre os grupos sociais, através do trabalho, com a natureza. A história da doença remete à história das relações sociais, econômicas e políticas em sociedades concretas.

A autora mostra que Sergio Arouca e Cecilia Donnangelo propuseram suas teses baseadas nos conceitos de: a) manutenção, recuperação e reprodução da força de trabalho, b) subordinação da medicina à lógica do capital e, c) contenção por parte do Estado, através das políticas sociais, dos antagonismos de classe.

Na década de setenta as principais linhas de pesquisa de saúde coletiva abordaram os temas do Estado e as políticas sociais; as instituições de saúde e a prática social da medicina; e a medicina comunitária.

Nessa época consolidaram-se centros de pesquisas em São Paulo, Campinas e Rio de Janeiro. O financiamento governamental para os projetos de pesquisa em saúde coletiva permitiu a difusão de um número importante de publicações.

Conclusões: No Brasil o desenvolvimento da saúde coletiva tem sido importante desde o ponto de vista conceitual e metodológico. A contribuição das ciências sociais permitiu no começo dos anos setenta um trabalho multidisciplinário significativo. A autora propõe que para avançar no desenvolvimento do campo deve-se utilizar o método histórico estrutural aplicado à análise da prática médica, mais que para a saúde e a doença.

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