Wetzel C; Puntel de Almeida MC. A construção da diferença na assistência de São Lourenço do Sul RS. Saúde em Debate 2001 maio-agosto; 25(58):77-87.
Objetivos: Analisar a construção de um Centro Comunitário de Saúde Mental em um município do Brasil, realizado no ápice da Reforma Psiquiátrica brasileira.
Metodologia: Qualitativa. Entrevistas em profundidade a políticos de relevância, provedores de serviços e usuários.
Resultados: No município de São Lourenço do Sul o desenvolvimento de um Centro de Atenção a Saúde Mental foi resultado de diversos processos, que, em si, desencadeou outros, com a necessidade de transportar os pacientes em crise para outras cidades, por falta de instituições que atendessem à saúde mental no município; o enfrentamento do tratamento desumanizado que os pacientes recebiam nos centros psiquiátricos tradicionais; equacionar o alto custo financeiro do transporte dos pacientes para outras cidades; o conflito da comunidade com os "loucos da rua"; a reação da comunidade que começou a exigir das autoridades locais uma solução do problema e o processo de municipalização da saúde, isto é, a transferência da atenção a saúde dos governos federal e estadual para o municipal. O governo local protagonizou e se comprometeu tanto com o processo de reforma do sistema de saúde em geral, quanto com o da saúde mental.
O movimento desta reforma foi altamente participativo e, em se tratando de um município de maioria rural, utilizou-se das Assembléias Comunitárias Rurais para difundir e discutir o processo. Foram implementados diversos serviços e se elaborou um diagnóstico da situação da saúde mental com a participação da comunidade. O projeto implicou uma mudança de paradigma, que em vez de se concentrar na doença mental, focalizou-se na pessoa com problemas mentais e nas suas relações com o corpo social. A participação e e capacidade de contenção da família foram aspectos destacados. Além disso, foram chaves a solidariedade, a responsabilidade dos diversos atores vinculados ao problema e oacolhimento(receber no sistema de saúde de maneira compreensiva e responsável a pessoa com problemas mentais), entre outros.
Conclusões: A experiência descrita mostra uma construção social participativa para produzir respostas às necessidades das pessoas com problemas mentais.
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