Drumond JM. Homicídios e desigualdades sociais na cidade de São Paulo, uma visão epidemiológica. Saúde e Sociedade (Brasil) 1999; 8(1):63-81.

Objetivos: Este artigo tem como objetivo descrever e discutir a epidemiologia dos homicídios na cidade de São Paulo, dando ênfase nas desigualdades sociais.

Metodologia: Analítica e interpretativa, a partir do estudo de dados secundários levantados pelo Programa de “Aprimoramento das Informações da Mortalidade do Município de São Paulo” (PRO-AIM) (Melhoramento das informações da mortalidade do município de São Paulo). O Programa foi criado em 1989, como uma iniciativa desenvolvida no processo de construção do Sistema Único de Saúde (SUS), com a intenção de produzir informações epidemiológicas úteis para a atuação das equipes de saúde nos diversos níveis do sistema.

Resultados: Os resultados mostram que os homicídios estão apresentando importância, dimensão e tendência crescente na cidade de São Paulo e revelam uma grande desigualdade social em todas as variáveis analisadas. As condições econômicas geradoras de desigualdades sociais, de desemprego e da miséria possuem uma intima relação com a violência, assim como as condições sociais de vida cotidiana da população e a ausência ou lentidão da justiça, o esgotamento e baixa eficiência do sistema penitenciário, a pouca utilização de penas alternativas e a ineficiência policial. A distribuição espacial mostra que os índices são maiores nas regiões periféricas e do centro velho da cidade. O risco de morrer assassinado cresce 58 vezes para quem vive em um bairro pobre (favela).

A distribuição das mortes na cidade de São Paulo, no ano de 1998, segundo os índices brasileiros de mortalidade, mostra que os homicídios estão em terceiro lugar, representando 8,4% do total de mortes e sendo superados apenas pelas doenças do coração e pelos acidentes vasculares. Esta situação difere segundo o gênero, os homicídios aparecem em décimo segundo lugar nas causas de mortes entre as mulheres, no entanto, é a primeira causa entre os homens. Com relação à faixa etária, observa se que os homicídios foram a principal causa de morte entre os 10 e 39 anos, na cidade, sendo que este período etário se ampliou entre os homens de até 49 anos. Entre as mulheres de 15 a 29 anos, os homicídios aparecem como a principal causa de morte na cidade.

Conclusões: O autor conclui que a epidemiologia tem um importante papel neste processo de transformação destas realidades, podendo contribuir com o monitoramento da violência, com o conhecimento de realidades especificas e com a sensibilização e instrumentalização de pessoas encarregadas de transformar as condições geradoras da violência.

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