Garrafa V, Diniz D, Guilhem D. Bioethical languaje and its dialectics and idiolectcs. [A linguagem bioética, sua dialética e idiolética.] Cadernos de Saúde Pública 1999; 15(Supl 1):35-42.
Objetivos:Analisar o processo de transferência de cultura no campo da bioética.
Metodologia: Revisão bibliográfica crítica. mediante o uso de uma metáfora lingüística como recurso heurístico.
Resultados: Os autores utilizam a metáfora lingüística que diferencia: idioma (língua oficial de uma nação); dialeto (variante regional do idioma); e idioleto (variante individual de um dialeto). As reflexões giram em torno do pensamento de Diego Gracia que realizou uma análise crítica da importação de idéias do movimento bioético dos Estados Unidos e seu dialeto hegemônico, chamado principismo, que formavam os cenários bioéticos dos países periféricos. Gracia propõe não "importar" ou "traduzir" simplesmente; mas, sim, "recriar" e "refazer"a disciplina da bioética, segundo as próprias tradições culturais e éticas dos países periféricos.
Os autores descrevem as potencialidades do trabalho de Gracia, destacando a busca e compreensão das diferenças entre as características e as tradições culturais, como um caminho para reconhecer a própria identidade ética e um dialeto ético específico. Gracia considera que no campo da ciência é possível traduzir os aspectos técnicos, mas isso não seria possível nos campos humanos e sociais, pois estes exigiriam níveis éticos que não são possíveis de serem traduzidos de maneira simples, requerem uma recriação.
Conclusões: Os autores concluem que a proposta de recriação também tem limitações, pois para realizá-la não é suficiente simplesmente falar de "tradições éticas" ou "herança filosófica", mas sim compreender as crenças culturais locais para formular um dialeto próprio.
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