Cuadernos Médico Sociales. Debate: el pólemico informe de la Organización Mundial de la Salud. [Debate: o polêmico relatório da Organização Mundial da Saúde.] Cuadernos Médico Sociales (Rosario, Argentina) 2001 Abril; 79: 95-118.

Objetivos: Apresentar quatro documentos críticos sobre o Relatório Mundial da Saúde para o ano 2000 elaborado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Três documentos produzidos no Brasil e um na Argentina.

Metodologia: Analítica e interpretava em um dos documentos, os outros utilizam métodos estatísticos para questionarem os indicadores usados pela OMS.

Resultados: O primeiro documento do Brasil é uma resposta oficial do Plenário do Conselho Nacional da Saúde, do Ministério da Saúde. Este documento questiona principalmente: a) os indicadores utilizados, os dados e análises realizados com base em comparações entre sistemas de saúde e situações econômicas muito diferentes; b) a falta de consideração dos programas de estabilização econômica, constituídos sob a pressão do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, que determinaram a efetiva redução dos recursos financeiros destinados à saúde, derivando-os para o pagamento da divida externa; e c) a prepotência dos tecnocratas que produziram o relatório.

O segundo documento do Brasil, elaborado pelo Diretor da Escola Nacional da Saúde Pública - Fundação Oswaldo Cruz, analisa de forma clara e simples os objetivos e métodos do relatório e as falências metodológicas que o constitui ao se basear em dados incompletos e pouco confiáveis sobre os países, além de não terem homogeneidade para serem tratados de modo comparativo. Assim, questiona o desconhecimento do sistema de saúde brasileiro, a metodologia usada par coletar informações, o pequeno número de pessoas entrevistadas (só 33 informantes no Brasil), e o baixo número de respostas obtidas no nível mundial. Só 30 países dos 191 responderam a pesquisa. O documento questiona também a validade dos dados recolhidos para considerar o gasto familiar e destaca que a OMS só obteve esta informação para 21 países. Todas as conclusões, segundo este documento, foram tomadas com base em cálculos teóricos, elaborados com hipóteses que refletem o posicionamento ideológico dos autores e não a realidade dos países.

O terceiro documento brasileiro foi feito por um grupo de pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz. O documento apresenta uma detalhada análise crítica dos indicadores, concluindo que são incapazes de avaliar a desigualdade e o desempenho dos sistemas de saúde. Questiona a falta de dados para todos os países e mostra que a comparação entre eles foi feita usando indicadores calculados de diferentes formas metodológicas e que falta transparência no conjunto dos procedimentos metodológicos utilizados.

O quarto documento, elaborado pela Academia Nacional de Medicina da Argentina, faz uma síntese do relatório para destacar suas qualidades quanto a escolha da abordagem e dos indicadores, que contribuem com uma visão diferente da avaliação dos sistemas de saúde. Coincide com os outros quanto aos problemas metodológicos detectados.

Conclusões: Os documentos apresentados são contribuições fundamentais para entender o debate que o relatório da OMS gerou nos vários países.

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