De Oliveira SE, Moysés NN. Comentando os dados referentes à capacidade instalada, força de trabalho e empregos de saúde. Saúde em Debate (Rio de Janeiro, Brasil.) 2000; 24(56): 35-43.
Objetivos: Analisar os dados da pesquisa Assistência Médico-Sanitária desenvolvida pela instituição federal de estatística e censo do Brasil, em 1999, para observar o avanço da municipalização no país.
Metodologia: Analítica com base em dados quantitativos secundários.
Resultados: A pesquisa, que o artigo analisa, mostra que entre 1992 e 1999 os estabelecimentos de saúde expandiram 13%, chegando a 56133 unidades. O setor público possui 58,7%, sendo que 93% das unidades deste setor são sem internação. No setor privado 22,4% possuem internação. O setor público tem 143 mil camas e o privado 341 mil. Chama a atenção o fato de que o setor público é responsável pelo emprego de 751 mil pessoas, no entanto, o privado emprega 623 mil.
Estes dados mostram a hegemonia do setor público na rede ambulatorial de clinicas básicas, enquanto que o setor privado responde por mais de 70% dos hospitais e por 80% do total de internações.
Do total de estabelecimentos existentes em 1999, 46,9% eram centros de saúde; 26,1% ambulatórios e clínicas; 13,9% hospitais e unidades mistas e 13,1% estabelecimentos de apoio de diagnóstico e terapêutico.
Os dados mostram que o setor público possui estabelecimentos em todo o país, enquanto que no setor privado predomina na região sudeste e sul (áreas geográficas com maior poder aquisitivo).
71,3% dos serviços de saúde (públicos e privados) tinham em 1999 algum tipo de vínculo com o Sistema Único de Saúde; 38,5% com planos privados de saúde e 36,4% prestavam atendimento particular.
Os municípios respondem por 70% dos serviços públicos de saúde.
Conclusões: No Brasil observa-se que apesar da importante expansão do setor público, quanto a sua capacidade instalada e prestação de serviços, a dependência do Sistema Único de Saúde das práticas oferecidas pelo setor privado é muito alto.
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