Saslavki L. Sinay I. Rabey M. Discursos en colisión: brechas comunicacionales entre médicos y pacientes y el problema del incumplimiento en los tratamientos diabetológicos. [Discursos em colisão: brechas comunicativas entre médicos e pacientes, e o problema do descumprimento nos tratamentos do diabetes] Cuadernos Médicos Sociales (Rosario, Argentina) 1994 noviembre; 69: 47-55.
Objetivos: O artigo tem como objetivo conhecer o fazer operativo dos atores, os modos de construção dos valores culturais nos múltiplos discursos, sobre o diabetes, desenvolvidos pelos diabetólogos e diabéticos, durante a gestão da doença.
Metodologia: Etnográfica.
Resultados: Os autores comprovam que o paciente diagnosticado como diabético, sofre uma comoção em sua vida e trata, a partir deste momento, de encontrar um sentido para a transformação dela, que não somente contempla o seu pâncreas adoecido. A enfermidade é vista, por ele, como um fato social muito além do ambiente médico, envolvendo todas as esferas de sua existência e põe em interação atores cada vez mais numerosos. O paciente necessita recompor continuamente a ordem alterada por sua enfermidade.
Os médicos geralmente focalizam o problema na enfermidade biológica e valorizam os cursos para diabéticos, através dos quais os pacientes deveriam adquirir o conhecimento, sobre a sua doença. Afastam-se da real compreensão dos valores criados na inter-relação do paciente com a sua doença. Isto produz, nos médicos, uma surdez às várias situações pelas quais os doentes são caracterizados freqüentemente e, assim, os médicos estimam que é a cultura do paciente que os tornam transgressores. Por sua vez, os profissionais são percebidos pelos pacientes como doutores, que nem sempre compreendem os seus problemas.
Os dados de campo permitem sustentar que os pacientes diabéticos, em geral, consideram sua doença como um fato exterior a suas vidas. É difícil confessarem-se como enfermos. Conservam a esperança de recuperar a sua saúde, uma vez que passe os nervos, as desgraças, a má sorte. As complicações da diabetes, às vezes chamadas deterioramento do organismo, são em geral, consideradas como a verdadeira enfermidade. A possibilidade do estigma é altamente temida, a ponto de adotar condutas absolutamente opostas às suas necessidades biológicas, para não ter que assumir que é um diabético. Os diabéticos expresam, deste modo, seu mal-estar e sua angústia de não poderem atuar como os outros, de não poderem trabalhar, estudar, viajar, viver livremente.
Conclusões: Os pacientes contam o que ocorre com suas vidas cotidianamente. Os diabetólogos escutam a sus pacientes, porém somente ouvem e transmitem a linguagem, oficialmente, construída pelos especialistas.
Ambos discursos se desencontram ou colidem. Mesmo assim, tem-se criadoad infinitumuma cultura comum que os atores não conseguem reconhecer como um produto que lhes pertence, perdendo-se uma possibilidade comunicacional que não podem aproveitar.
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