Merhy, Emerson E. Em busca do tempo perdido: a micropolítica dotrabalho vivo em saúde. Em: Merhy, Emerson E, Onocko, Rosana. Agir em saúde. Umdesafio para o público. São Paulo: Editora Hucitec / Buenos Aires: LugarEditorial, 1997. p. 71 – 112.

Objetivos: Analisar conceitos centrais e técnicas usadas para a análise institucional e a reorganização dos serviços de saúde, sob a ótica de uma nova abordagem compreensiva sobre os processos de trabalho. A análise baseia-se em experiências realizadas em dois municípios do Brasil.

Metodología: Analítica

Resultados: Descreve o “fluxograma organizador” e a forma que se utiliza na análise dos processos institucionais. Define a categoria de trabalho na saúde, e aprofunda-se na compreensão dos seguintes conceitos: trabalho vivo (criativo, não estandarizado, não burocrático), trabalho morto (normas, rotinas, processos cristalizados); tecnologias leves (a clínica, o saber fazer), leves-duras (combina aspectos dos procedimentos técnicos e a burocratização dos processos de trabalho com as tecnologias leves), e tecnologias duras (centrado em processos técnicos e normativos). Estas definições são colocadas ao serviço do entendimento da dinâmica do processo de trabalho na saúde e da importância que tem em se considerar nos processos de reforma a potência do encontro trabalhador de saúde/produtor com o usuário/consumidor, como um espaço que não pode ser totalmente submetido a reformas normatizadoras, impostas de fora dos serviços e por fora dos protagonizadores destes atos. Analisa a contribuição de diversas correntes da análise organizacional.

Conclusões: O autor considera, baseando-se em múltiplas experiências que já desenvolveu para reorganizar os serviços de saúde no Brasil, que estas mudanças só são viáveis se analisam os processos que operam efetivamente nos serviços, se escutam os “ruídos” que estão presentes, se tomam os conflitos como matéria-prima, e se se propõe explorar criativamente a potência do trabalho vivo - criador de brechas e de alternativas, de tecnologias leves e leves-duras - que cada trabalhador gera no encontro com os usuários e com outros trabalhadores.

Múltiplas experiências mostram que fazer reformas através de propostas técnicas impostas de fora dos serviços criam resistência e não geram as mudanças necessárias.

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