Ximenes R, Martelli C, Souza W, Lapa T, Albuquerque M, Andrade A, Morais Neto O, Silva S, Lima M, Portugal J. Vigilância de doenças endêmicas em áreas urbanas, a interface entre mapas de setores censitários e indicadores de morbidade. Cadernos de Saúde Pública 1999 Janeiro-março; 15(1): 53-61.
Objetivos: Analisar metodologicamente as bases utilizadas na construção do modelo de vigilância epidemiológica de endemias, que utilizam indicadores epidemiológicos espaciais.
Metodologia: O estudo apresenta os critérios de escolha das variáveis socioeconômicas, as etapas metodológicas da construção do indicador composto e a estratificação espacial das situações de risco. Para o desenvolvimento desta análise metodológica foram usados os dados sobre tuberculose e lepra dos municípios de Olinda (Pernambuco) e de Goiânia (Goiás). A vantagem do uso destas doenças está no fato de que são de notificação obrigatória e os sistemas de informação são bem estruturados.
Resultados: Três pressupostos básicos orientaram a concepção proposta: a) um conceito de vigilância da saúde que transcende a clássica noção de vigilância no individuo doente, para priorizar a vigilância do espaço/população onde ocorre a doença. Neste contexto um indicador composto que sintetize as condições de vida foi construído para identificar áreas críticas intra-urbanas; b) A identificação de áreas de diferentes níveis endêmicos, de acordo com os indicadores de morbidade, as quais foram sobrepostos os bolsões de pobreza, para localizar espacialmente os grupos sociais que requerem intervenções e monitoramento seletivo; e, c) a crescente transferência de responsabilidade do planejamento e da execução das atividades de controle de endemias para os municípios.
O artigo detalha a construção da base de dados territorial digitalizada, a arquitetura e a moldagem dos bancos de dados usados, e a construção do indicador composto de situação de risco e definição de camadas. Discute-se também as vantagens e limitações da metodologia usada.
Conclusões: Os autores concluem que a disponibilidade de mapas digitais, através dos sistemas de informação geográfica (SIG) é um grande avanço para o planejamento dos diferentes setores. Permite a integração e a compatibilidade de diferentes bancos de dados e a aplicação de modelos de análises espaciais, para estudar determinadas técnicas. Estes processos facilitam a implementação de um modelo de vigência da saúde, que transcende o controle de indivíduos doentes, que estimula a articulação intersetorial e que facilita intervenções seletivas e diferenciadas segundo as necessidades.
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