Campos GWS, Campos OR. Ciência e políticas públicas em saúde: relações perigosas. Saúde em Debate (Rio de Janeiro, Brasil) 2000; 24 (55): 82-91.

Objetivos: Analisar as relações entre política e ciência na saúde coletiva e realizar uma critica de certas metodologias de pesquisa.

Metodologia: Analítica e interpretativa.

Resultados: Os autores analisam a complexa e nunca neutra produção científica no campo das políticas de saúde. Refletem criticamente sobre a crise dos paradigmas, ocorrida durante a década de 80 e 90, e o advento da denominada pós-modernidade, com suas múltiplas abordagens teórico-metodológicas. Os autores analisam, criticamente, categorias como cotidiano e representação social no campo da saúde. Os debates concentram-se na capacidade de uma teoria que possa sintetizar a fatos concretos e de forma objetiva, e os significados subjetivos do mundo social. Levantam que se esta síntese existe ela não pode ser construída como mera somatória de ambas.

O artigo coloca que, de acordo com o pós-modernismo, o estado proporciona uma ciência inócua na área das políticas, que é muito questionado e avaliado, mas que não são propostas direções a serem seguidas. Para os autores, pelo contrário, o caráter histórico-situacional da pesquisa, na política social, é inegável: sendo produzido a partir do lugar e tempo em que se situa o pesquisador e o objeto analisado. A pesquisa na política deve ser mais aplicável que aplicada, vislumbrando conexões entre o produto cientifico e quem está na prestação de serviços, e os movimentos sociais.

Conclusões: Reconhecer o compromisso subjetivo do pesquisador no tema das políticas não implica cair no relativismo, nem descuidar a análise crítica da própria posição no campo.

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