García, Juan C. A categoria trabalho na medicina. Em: Nunes, Everardo D. (Org.). Juan César García: pensamento social em saúde na América Latina. São Paul Cortez, 1989. p. 100 – 124.

Objetivos: Analisar o tratamento que a medicina historicamente tem dado para as entidades patológicas relacionadas com o trabalho.

Metodologia: Histórica e analítica.

Resultados: O autor destaca que a medicina contemporânea considera as consequências do trabalho sobre a saúde como um fenômeno biológico individual que ocorre no âmbito do consumo. Isto é, em relação a capacidade de compra que o trabalho gera. Neste mesmo sentido se estuda o problema do desemprego. Assim sendo a medicina tende a desconhecer os efeitos do próprio trabalho no processo saúde-doença. A medicina ocupacional tem uma visão semelhante, já que analisa as patologias produzidas pelo trabalho em relação a fatores externos ao próprio trabalho, como os casos de edifícios, ventilação, substâncias químicas, iluminação, processos mecânicos perigosos, etc. A medicina desta forma ignora o aspecto qualitativamente transformador do trabalho para o homem. Como criador de valores de uso, o trabalho é um produtor de saúde, pois desenvolve as capacidades físicas e mentais do ser humano. Quando não existem condições objetivas ou subjetivas para que o trabalho seja estímulo das potencialidades, este se converte em um produtor de doenças.

O autor desenvolve uma análise histórica da relação saúde-trabalho realizada pela medicina, para isso analisa historicamente as características do trabalho e das doenças próprias de cada etapa do desenvolvimento do capitalismo.

Uma das principais contribuições deste artigo e a análise crítica dos estudos epidemiológicos sobre a relação trabalho-saúde. O autor destaca que a maioria refere-se a correlação entre classe social e doença. A classe social é medido geralmente pela renda, a educação e o prestígio ocupacional. Desta maneira esconde-se o real significado da categoria trabalho, para destacar-se, quase exclusivamente, os meios de vida do trabalhador e de sua família. Outra forma de ocultamento, ocorre nos trabalhos que analisam estilos de vida quanto aos diferentes tipos de trabalho e as formas de exposições aos riscos de adoecer. O autor destaca que quase não existem estudos que consideram o trabalho doméstico como parte da reprodução da força de trabalho, pelo contrário, tomam-o como um não trabalho. Um exemplo claro é o fato de que os acidentes das mulheres no âmbito doméstico são considerados acidentes domésticos, não de trabalho.

Conclusões: O capítulo faz uma contribuição à análises da relação trabalho-saúde desde uma perspectiva econômica e política. O autor oferece uma análise de grande interesse dos determinantes do surgimento, desenvolvimento, transformação e desaparecimento de certas unidades nosológicas saídas da relação trabalho-saúde nas sociedades capitalistas.

Copyright 2007 University of New Mexico