Santos NS, Tayra A, Silva SR, Buchalla C, Laurenti R. A AIDS no Estado de São Paulo. As mudanças no perfil da epidemia e perspectivas da vigilância epidemiológica. [El SIDA en el Estado de San Pablo. Los cambios en el perfil de la epidemia y las perspectivas de la vigilancia epidemiológica.] Revista Brasileira de Epidemiología 2002 diciembre; 5(3):286-310.

Objetivos: Analisar os dados do Sistema de Vigilância Epidemiológica, das enfermidades de transmissão sexual/AIDS, do Estado de São Paulo, para descobrir o perfil da epidemia e as mudanças de padrão epidemiológico.

Metodologia: Análise quantitativa de dados secundários.

Resultados: O HIV, inicialmente vinculado aos homens que praticam sexos com homens, particularmente nos países desenvolvidos e na América Latina, rapidamente se disseminou entre diversos segmentos, alcançando mulheres, homens com práticas heterossexuais e crianças.

A crescente desigualdade entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento, se reflete na magnitude da AIDS. Acentuam-se as diferenças, devido a desigualdade no acesso ao tratamento, na mortalidade por AIDS, entre os países ricos e os mais pobres. O Brasil é uma exceção, porque foi um dos poucos países que adotou uma política de distribuição gratuita de antiretrovirais. Neste país, a mortalidade tem diminuído acentuadamente, desde 1996, e o uso de retrovirais, é um dos fatores mais importantes.

Os dados analisados mostram que atualmente as mortes, no Brasil, ocorrem em idades mais avançadas. A epidemia aparece em todos os estratos sociais, mas observa-se aumento no número de casos nas pessoas com menor escolaridade e com ocupações menos qualificadas.

Há um crescente aumento de número de casos entre homens heterossexuais, junto com um aumento também na população feminina, corroborando que há uma heterossexualização da epidemia.

O tradicional Sistema de Vigilância Epidemiológica, no Brasil, no caso da AIDS, tem melhorado com a adição de estratégias que permitem uma detecção precoce dos casos, com o objetivo de obter informações mais próximas do momento da infecção.

Conclusões: O acesso gratuito aos medicamento, no Brasil, tem demonstrado seu impacto na redução da mortalidade. Este país é um exemplo da importância em melhorar a oportunidade e rapidez da coleta e análise de dados, para os programas de prevenção.

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