Pulido-Navarro M, Noriega-Elío M. Condiciones objetivas y subjetivas del trabajo y trastornos psicofísicos. [Condições objetivas e subjetivas do trábalo e transtornos psico-físicos] Cadernos de Saúde Pública (Rio de Janeiro, Brasil) 2003 enero-febrero; 19(1): 269-277.

Objetivos: Analisar a relação entre as condições de trabalho, os transtornos psico-físicos e a valorização sobre o conteúdo do trabalho, em uma indústria químico-farmacêutica, no México.

Metodologia: Quali-quantitativa, através de um estudo transversal aplicando três instrumentos: um protocolo de observação do processo de trabalho, um para valorar as condições de segurança e higiene na empresa, e um para um questionário epidemiológico (n=377).

Resultados: O contexto, no qual o estudo se realiza, é o das empresas farmacêuticas multinacionais, cujas iniciativas empresarias, são: inovação, rapidez e crescimento, com um fim primordial, o máximo rendimento econômico. A partir destas políticas, estruturam uma série de mudanças permanentes que, finalmente, têm repercussões sobre a última da cadeia de decisões: o trabalhador.

A tendência à mecanização e a automatização incrementa a demanda psíquica dos trabalhadores, ao submete-los a mudanças que implicam simplificações, monotonia e repetitividade das tarefas e, sobre tudo, ao submete-los às atividades carentes de conteúdos e interesses.

No estudo, foram encontradas muitas situações aceitáveis sob o aspecto da segurança e higiene do trabalho. O problema radica no fato de que, na maior parte das atividades analisadas, o trabalhador não pode exercer o controle das suas tarefas, não tem possibilidade de incrementar seus conhecimentos ou desenvolver sua criatividade e iniciativa. Os operários, da planta produtiva estudada, não têm a menor possibilidade de participar do planejamento e organização das tarefas. Os despojam de sua capacidade de raciocínio.

Um aspecto fundamental é a rotatividade de turnos, que afeta a saúde ao alterar o ciclo circadiano e seu vida cotidiana. A empresa usa da rotatividade de turnos, para favorecer ou castigar os trabalhadores, o que gera divisão e rivalidade entre eles, e outorga grande poder aos supervisores.

O estudo encontro fortes associações entre o conjunto de exigências e os problemas de saúde. As exigências são, basicamente, de três classes: 1) as relacionadas com o tipo de tarefas, cuja característica principal é a minuciosidade, imobilidade e repetitividade; 2) as associadas ao tempo de trabalho (jornada prolongada e trabalho em dias de descanso ou de férias); e 3) as relacionadas com um supervisão e controle muito restritos. Estas exigências desempenham um papel transcendental na aparição dos conjuntos patológicos; 1) os psíquicos, os psicossomáticos e a fadiga (taxa de 69 por 100, trabalhadores) e 2) os músculo-esqueléticos (taxa de 48 por 100). Em relação aos riscos, o mais importante é o ruído.

Conclusões: O estudo conclui que tanto as condições objetivas como as subjetivas jogam um papel importante na produção de doenças nos trabalhadores.

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