Alfonso A. Violencia contra las mujeres. Un acercamiento al tema. [Violência contra as mulheres. Uma aproximação ao tema.] Boletín SaluCo 2002; 1(7-15).
Objetivos: Analisar o problema da violência contra as mulheres em Cuba.
Metodologia: Analítica e interpretativa.
Resultados: A autora analisa dados que mostram o avanço que as mulheres conseguiram a partir do triunfo da Revolução Cubana. Como exemplo: entre as mulheres maiores de 10 anos, no momento da Revolução, 23% eram analfabetas, 71% sub-escolarizadas e só 2% tinham completado o ensino médio. Em 1989, só 1,9% eram analfabetas.
A importante conquista obtida pela mulher cubana tem contribuído para a invisibilidade da violência contra a mulher em Cuba. Os fatores que têm facilitado isto são: a ausência da violência como conceito ampliado do imaginário social (só utilizado para nomear a violência física); o tratamento do problema como pertencendo ao espaço privado; a ausência de pesquisas de amostragem representativas da população nacional e de um sistema único de colheita de dados, que permita generalizações e/ou o registro obrigatório de atenção; as escassas denúncias ou a retirada destas pelas mulheres; a ausência de recursos, tanto teóricos como metodológicos, para sua identificação e abordagem comunitária, nos textos dirigidos aos especialistas de medicina geral e integral.
A autora apresenta dados que põe em evidência a existência da violência física ou psicológica contra mulheres e crianças em Cuba. As mães são consideradas pelas crianças como as que exercem os maus trato. Esta realidade evidencia que ainda são as mulheres as maiores responsáveis no desempenho do papel de cuidado, educação e permanência junto as crianças . Assim sendo, isto permite ver que o mal-estar do cotidiano e as violências recebidas são transferidos pelas mulheres aos mais vulneráveis, convertendo-se em sustentadoras e geradoras da violência intrafamiliar. A violência psicológica é a forma mais freqüente.
Não é significativo a relação existente entre situação sócio-econômica, estrutura familiar, nível escolar e a presença de transtornos psiquiátricos e/ou adições dos agressores. Isto faz visível a complexidade do fenômeno, desmistifica a marginalidade como causa única do problema e amplia o olhar em direção ao reconhecimento das múltiplas causas vinculadas à violência.
Conclusão: A autora conclui que se devem integrar, dentro da referência das ações na prevenção da violência contra as mulheres, os seguintes eixos: a violência é o resultado das relações assimétricas de homens e mulheres; ocasiona um problema de saúde para as vítimas; é um problema social; é um problema em relação aos direitos das crianças e deve-se produzir uma ruptura com não defesa, aprendida.
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