Fletes Corona, Ricardo. Desde la calle. Otra perspectiva de las acciones institucionales. [A partir da rua. Outra perspectiva das ações institucionais.] Em: Mercado Martínez, Francisco; Robles Silva, Leticia (comp.). Investigación cualitativa en salud. Perspectiva desde el occidente de México. Guadalajara (México): Universidad de Guadalajara; 1999. p. 137 – 156.

Objetivos: Analisar, da perspectiva daqueles que vivem nas ruas, em especial as crianças e os adultos a elas vinculados, as ações dos organismos governamentais e não governamentais que os assistem.

Metodologia: Qualitativa.

Resultados: O cruzamento (a intersecção entre duas ruas) converteu-se, tanto nas grandes, quanto nas médias cidades do México (e de outros países do Terceiro Mundo), em um lugar onde se produz a vida social e econômica de uma parte cada vez mais significativa da população que vai sendo excluída do sistema formal de educação e trabalho. Trata-se em especial das crianças e, cada vez mais, de famílias inteiras. A rua é o espaço de onde as pessoas que a habitam vêem a sociedade e, também, deve ser entendida como lugar produzido pela própria sociedade.

Os andarilhos se reconhecem como trabalhadores, mas sabem que são vistos como delinqüentes, pelo resto da sociedade que os observa de uma outra posição social e econômica. São estigmatizados pela sociedade e têm consciência disso. São exemplos, para as crianças e jovens, do que não devem ser.

Os trabalhadores de instituições que atuam com os andarilhos, muitas vezes reproduzem o mesmo conceito da população, desconhecendo a profundidade do problema. Tentam controlá-los ao invés de entendê-los.

Os andarilhos caracterizam os programas oficiais, muitas vezes, como uma atividade lúdica, aproveitando-os, também, no que consideram conveniente. Têm clareza sobre os diferentes tipos de educadores que se aproximam deles. Os educadores de alguma maneira formam parte da vida da rua, pois seu trabalho é mal pago e de alto risco. Os trabalhadores da assistência social sentem muita tensão entre as diretrizes institucionais e a pouca conexão prática do seu trabalho com o andarilho.

Conclusões: A consciência dos que desempenham uma atividade nas esquinas de ruas é muito clara: pra eles é trabalho e esse é o espaço que conseguiram na cidade. A partir das instituições, deve-se desenvolver uma campanha junto a opinião publica para se lutar contra a intolerância. A população olha este fenômeno "de fora" e reclama a "limpeza das ruas". Os andarilhos sabem seu "uso" como referente negativo e isto pode levá-los a enfrentamentos em busca de vingança contra a sociedade, que nega sua própria responsabilidade na existência deste fenômeno social.

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