García, Juan C. Considerações sobre o marco teórico da educação médica. Em: Nunes, Everardo D. (org.). Juan César García: pensamento social em saúde na América Latina. São Paul Cortez, 1989. p. 179 – 188.

Objetivos: Descrever as diferentes posições teóricas sobre a educação médica a partir da década de 70 e apresentar algumas considerações para o desenvolvimento de um marco teórico alternativo na formação médica.

Metodologia: Descritiva e analítica.

Resultados: O autor analisa os diferentes marcos teóricos que influenciaram a educação médica na América Latina. No fim da década de 70, começa-se a mostrar como a educação médica reproduz a prática médica e a organização dos serviços de saúde, isto é, a educação médica carece de autonomia plena e de capacidade para transformar a prática. Posteriormente esta tese será discutida e será mostrado que a universidade, como um conjunto, tem certo grau de autonomia na organização de suas atividades, o que permite, desta perspectiva, propor para algumas universidades que desenvolvam uma formação segundo as demandas que o profissional terá na prática. Entretanto, há também quem propõem novos perfis profissionais, questionando o modelo do exercício profissional vigente.

Antes destas posições a concepção dominante sobre o poder de transformação social da escola baseava-se no predomínio do positivismo nas correntes do pensamento educacional. Este corpo teórico colocava que a sociedade estava formada por diferentes subsistemas (saúde, educação, político, social) e que atuando sobre qualquer um deles seria possível produzir modificações nos outros. A crise econômico-social dos fins dos 60 mostra como são falsas estas posições. Inicia-se o questionamento destas interpretações da realidade e sua capacidade de produzir mudanças, e reconhece-se que tanto a educação como a medicina produzem efeitos contrários aos que pretendiam. O autor apresenta com um certo detalhe as concepções fenomenológicas e marxistas que geraram este debate e posicionamento teórico, realizando sua critica as mesmas.

Conclusões: O autor propõe que um marco teórico para repensar a educação médica deve partir da consideração do contexto econômico, político e social de que toma parte. Destaca que a universidade tem certos graus de autonomia para organizar suas atividades e reinterpretar as necessidades sociais. Aponta que a produção de conhecimentos científicos e a atenção médica também devem ser reinterpretadas sob a luz das necessidades do conjunto da sociedade.

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