Menéndez E, Di Pardo R. Violencias alcoholizadas y relaciones de género. Estereotipos y negaciones. [Violências sob efeito do álcool e relações de gênero. Estereótipos e enganos.] Cuadernos Médico Sociales (Rosario, Argentina) 2001 abril; 79:5-25.

Objetivos: Analisar os estereótipos e os enganos conceituais e metodológicos na relação violência, álcool e gênero.

Metodologia: Histórica, analítica e interpretativa.

Resultados: A violênciatanto no México como internacionalmente é reconhecida como um fenômeno social que está crescendo. No entanto, não é um processo recente, que ocorra só agora na vida cotidiana, particularmente no plano das relações primárias e micro-grupais, relacionada às várias formas protagonistas das relações de gênero. Tais violências cotidianas, muitas vezes, aparecem associadas principalmente ao consumo de álcool, mais do que qualquer outro fator.

Os autores analisam a longa história da violência e as causas estruturais que a originaram ou reativaram, nos diferentes momentos históricos. A maioria dos atos violentos não são novos, o novo é o fato de serem considerados violentos. A consideração de determinadas condutas como violentas, levando em conta que existam atividades violentas, depende em grande parte da emergência de grupos sociais com diferentes perspectivas das dominantes, a respeito destes atos. Por isso, na pesquisa é indispensável definir o que se entende por violência e não deixá-lo subentendido.

Os autores propõem uma visão que possa analisar a violência nas relações domésticas a partir de pequenos grupos e relações primárias, mas sem desconhecer que os grupos domésticos expressam formas coletivas de estruturas e relações de parentesco, que implicam no nível macro-social. Consideram que a análise micro-social é o que possibilita entender a dinâmica macro como uma estrutura não monolítica, mas como um processo dinâmico. As condições macro-sociais da violência expressam-se através de grupos e sujeitos, cujas respostas não são sempre iguais. Por isso, é importante pensar se o problema da relação violência-álcool constrói-se em torno do álcool como parte de comportamentos de gênero e/ou classe, e mesmo como expressão de identidades e características masculinas, que encontram no álcool grande parte dos símbolos de suas diferenciações identitárias. Trata-se de entender como o álcool influi estas características na dinâmica de gênero, homem-mulher, a partir de situações familiares específicas. Através do álcool, estabelecem-se relações de poder e de micro-poder entre os membros de um grupo doméstico, que implica não só na violência física, nas relações homem-mulher, pai-filho, mas também em processos de abandono, estupro, etc.

Conclusões: A articulação, e a não exclusão, do nível macro e micro-social é o que possibilita a compreensão deste problema.

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