Zuanilda B. La relación médico-paciente en pueblos indígenas: algo más que la búsqueda de la curación. [A relação médico-paciente em povos indígenas: algo mais que a busca de curas.] Salud y Problema (México) 1999 dezembro; 4(7): 56-62.
Objetivos: Analisar a relação médico-paciente em povos indígenas de Oaxaca, México.
Metodologia: Etnográfica.
Resultados: O artigo trata a relação médico-paciente como um vínculo indispensável no desempenho da prática médica e como algo mais que uma terapêutica, já que através dela se coloca de forma evidente as relações sociais em toda sua complexidade.
O autor destaca que o médico aparece frente à comunidade como representante da biomedicina, cumprindo um papel de poder, importante na construção da hegemonia. O médico é parte de um grupo social e como tal lhe é permitido atitudes de discriminação contra os indígenas, o que definitivamente repercute na acessibilidade ao serviço. Cumpre funções de normatização e medicalização, não só em suas indicações relacionadas com a doença, mas também ao estabelecer normas de condutas no cotidiano, que vão modificando paulatinamente, ainda que com alguma resistência, a forma de comportamento próprio do grupo. Exemplo disso, é a indicação de uma consulta médica individual que altera a dinâmica coletiva do conjunto social.
O principal apoio e reconhecimento com que conta o médico é a eficiência de suas ações terapêuticas, que resultarão na melhora das condições de saúde da população. Do ponto de vista do autor o que o limita é sua a formação profissional, que é orientada no âmbito hospitalar e especializada, determinando a sua insatisfação em relação ao seu desempenho profissional no meio rural, e, mais ainda, entre a população indígena., quando não cumpre suas expectativas acadêmicas, profissionais, econômicas e de inter-relação social.
Na relação médico-paciente coloca-se de manifesto, claramente, a relação de poder sobre a população marginal. Inclusive os médicos temporários exercem este poder. No ato curativo manifesta-se o poder médico no social e no ideológico.
Conclusões: Ao se pesquisar a prática biomédica no meio rural indígena no México, vê-se de modo evidente o exercício do poder médico e outras características do modelo médico dominante, com uma relação médico-paciente que se manifesta em um espaço social, onde surgem contradições étnicas e de classe, econômicas, políticas e sobre tudo ideológicas, que distanciam a prática médica de uma orientação idealista.
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