Gonçalves S, Fagundes P, Lovisi G, Lirua L. Avaliação das limitações no comportamento social em paciente psiquiátricos de longa permanência. Ciência e Saúde Coletiva 2001; 6(1):105-113.

Objetivos: Avaliar o comportamento social de pacientes psiquiátricos de longa permanência em instituições psiquiátricas.

Metodologia: Estudo descritivo, que aplica um instrumento estruturado (Social Behavioerial Schedule- SBS) que cobre áreas do comportamento referentes as principais dificuldades de pacientes crônicos. A amostra estava composta por 46 pacientes de uma população de 200 mulheres, com longa história de internação psiquiátrica, residentes no Instituto Municipal Juliano Moreira no Rio de Janeiro, Brasil. Os dados obtidos foram comparados com uma amostra de habitantes de um albergue, para pessoas sem moradia, e com pacientes de um hospital psiquiátrico, ambos em Londres.

Resultados: A população brasileira estudada tinha mais de 35 anos de internação psiquiátrica e apresentava um comportamento mais adequado em diferentes itens que os pacientes do hospital psiquiátrico de Londres, sendo mais semelhantes aos habitantes do albergue de sem-teto, daquela cidade.Apesar dos longos anos de internação, as pessoas estudadas, no Brasil apresentaram características de comportamento social compatível com a convivência em serviços residenciais terapêuticos. Estas descobertas reforçam a necessidade de se transferir os cuidados desses pacientes do hospital para a comunidade. 65% da população mostrou-se apta para residir em moradias, dentro da comunidade; já, que apresentou somente 1 ou 2 problemas na escala da SBS.

Conclusões: Os autores consideram que se deve desenvolver mais estudos de avaliação deste tipo, realizando-se comparações entre populações brasileiras, o que seria mais adequado do que comparar com situações de outros países.Sendo assim, consideram que se deve desenvolver alternativas para a internação psiquiátrica, de acordo com os pacientes que estão institucionalizados, e que o estado deve apoiar de forma política e econômica os projetos. Não se trata de diminuir custos, mas sim de oferecer uma melhor qualidade de vida que respeite o direito a cidadania.

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