Varela P. M. La fecundidad adolescente: una expresión de cambio del comportamiento reproductivo en Uruguay. [A fecundidade na adolescência: Uma expressão da mudança do comportamento reprodutivo no Uruguai.] Salud y Problema (México) 1999 junho; 4(6): 51-64.

Objetivos: Analisar as mudanças da gravidez em adolescentes, no Uruguai.

Metodologia: Analítica e interpretativa, Com base na anàlise de dados secundários.

Resultados: A história da trajetória reprodutiva do Uruguai fala de um controle na natalidade de forma moderada, sem grupos problemáticos e sem oscilações. Mostra-nos que era um país com uma média de filhos por mulher, que se mantinha baixo desde meados do século XX. Neste contexto, a gravidez na adolescência não deveria nunca ser motivo de preocupação e teria que ser muito inferior a média da América Latina. No entanto, as/os adolescentes uruguaios parecem ter se descontrolado, no final do século, participando na natalidade do país de forma diferente. O Uruguai já não está tão longe da média da América Latina, que é de 80 por mil de nascidos vivos. O Uruguai, em 1996, apresentou uma gravidez na adolescência (10 a 19 anos) de 72 por mil. Parece, então, que as/os adolescentes estão mudando o comportamento “esperado”.

A autora observou que as mães adolescentes no Uruguai são mais vulneráveis que as mães jovens. Tem menos anos de educação e, provavelmente, terão menos possibilidades de alcançar o nível educativo das jovens, situação que dificulta sua inserção no mercado de trabalho. Como casal têm uma estabilidade mais precária, assumindo sozinhas os filhos em maiores proporções que em outras faixas etárias. Também foi observado, que as mães adolescentes de extratos sociais mais baixos são em maior número que as mães jovens, fator que incide na saúde da mãe e do filho. Neste sentido, observou-se que as adolescentes demoram mais para ir a um centro de saúde e têm uma maior porcentagem de crianças com baixo peso ao nascer.

Estes fatores nos fazem pensar que o grupo adolescente constitui uma população de risco em relação a sua saúde em geral e a sua saúde reprodutiva. Os dados analisados indicaram que a maioria dos nascimentos ocorre nos setores mais desprotegidos, mas há indícios que também acontecem em outros setores sociais.

Conclusões: A gravidez na adolescência merece ser destacada como problema, separando-a de outros problemas gerados pela pobreza, e deve ser analisada levando-se em conta as mudanças de condutas dos adolescentes, que influenciam o comportamento do conjunto das relações sociais.

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